quinta-feira, 16 de maio de 2013

"To The Wonder" sob a ótica de Júnior Cunha


O polêmico diretor Terrence Malick volta novamente, desta vez, ainda mais poético, sensorial. Conhecido por produzir filmes em que as pessoas amam ou odeiam, sem espaços para meio termo, outra vez nos apresenta uma obra com os tons já mostrados em seus filmes anteriores (Árvore da Vida, 2011, onde amadureceu bastante e O Novo Mundo, 2005): uma fotografia belíssima, cenas que captam com excelência a natureza a seu redor – é conhecido que Malick é bastante campestre, detestando o fervor dos centros urbanos – e uma escassez de diálogos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

E eu gozei borboletas…


Ao meio dia, eu já tinha planejado tudo.
Começaríamos a noite com uma troca de olhares, um abraço apertado e demorado, seguido de um jantar cheio de risadas e álcool. Logo após, iríamos pro jardim contemplar as estrelas e nossos corpos nus.
Mas, como de costume na minha medíocre vidinha, meus planos ficaram apenas no papel.

domingo, 12 de maio de 2013

Volta, bolachão!


Enquanto uns preferem a volta de... (deixa pra lá), eu prefiro a volta do velho e bom bolachão. Dia desses um jovem de 15 anos com um disco de vinil na mão olhava para o disco e para mim meio admirado e dizia: “é a primeira vez que vejo um desses ao vivo”. É, definitivamente, nossos jovens são da geração virtual, da geração eletrônica. Não era culpa dele nunca ter visto um bolachão preto, gostoso de pegar, de tocar, de ouvir. Então eu disse pra ele: “se prepare, o negão tá voltando!”.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Não existe pesticida para a praga humana


Vários olhos vidrados na lousa branca, e cérebros entupindo-se e regados à lógica. As pálpebras não piscam, as canetas não param, as tesouras podaram nossas ideias incabíveis. Não abram aquelas apostilas, pode ser o seu fim. Aquilo é uma armadilha, feita da morte de imaginações inocentes, onde todos irão cair. Algo microscópico - que nem átomos o enxerga – sai dançando daquelas folhas mortas, como grãos de pólen, levados pelo vento até ouvidos abertos. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Num grito, a gente solta nossa alma animal


Hoje eu espanquei um cara. Eu sei que ele não merecia, mas minha raiva precisava sair de algum jeito. Os cortes nas minhas costas, os roxos no meu braço e esse sangramento ininterrupto na minha têmpora, não doem tanto quanto aquele seu pedido pra deixar tudo como está.
O pobre rapaz, encostado contra a parede, pedia que eu parasse, e meu sorriso abria cada vez mais. Deu-me até gosto quando vi aquele líquido vermelho escorrendo e lambuzando meus punhos. Foi uma sensação transcendental - não por ser ele, porque na verdade nem o conhecia, mas aquelas palavras que ressoavam em minha mente iam embora toda vez que ele me dava um soco e eu gritava para que ele batesse mais forte. Queria sentir dor maior que aquela sua frase. Queria provocar a dor que pretendia lhe proporcionar, mas não podia.


Rodopio


Ainda te tomo pela mão
Aprendo o que não sabia
Soldado, batalhão, infantaria
Poeta, palhaço, ladrão
Te roubo beijos, tempo e o coração
Invento rima, letra e melodia
Um dia
Te faço canção

Faça de mim seu alvo
Casa, berço, travesseiro
Seu sustento, pão, acalento
Me leve no bagageiro
Eu tento, calmo e lento
Mas o amor é ligeiro

Suspiro
Piro
Invento tua voz
Respiro
Eu, água de rio
Sorrio, sou rio
Você, minha foz
Maré alta, feroz
Léguas, horas, colinas
Separam eu e você de nós

terça-feira, 7 de maio de 2013

Da indecisão



O seu erro era escolher demais as palavras,
Tentar deixar tudo muito medido, perfeito, encaixado.
Mal sabia ela que o amor se encaixa sozinho.
Que a poesia tem sua própria medida.
E que nada, absolutamente nada poderia ser tão perfeito quanto o encontro do amor com a poesia.
Relaxa, menina.
Relaxa! Sente! Respira! Sorri!
... e escreve!
Escreve, que a beleza não está nas palavras rabiscadas.
Não está nas palavras escolhidas a dedo.
Nem naquela frase de efeito que te veio há tempos e você nunca quis “gastar num texto qualquer”. Nem naquela ideia genial que nunca chegou ao papel.
A beleza vai vir, se vier, do entendimento.
Mas e daí se ninguém te entende?
Também há beleza no que não sabemos compreender...
Amanda Queiroz
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